quinta-feira, 23 de março de 2017

Resultado do Beta

Estava novamente repleta de esperança, tinha quatro folículos crescendo e continuamos com a medicação, durante todas as Fivs que eu fiz, nunca precisei aplicar em mim nenhuma injeção, meu marido sempre esteve presente e isso era algo que ele fazia com muito amor.
Após dois dias retornamos novamente a clínica para um novo ultrassom, e a surpresa foi ainda maior, não mais 4 cresciam e sim 6, o médico tão cético começou a demonstrar segurança no tratamento e positividade, eu só agradecia, teria chances, para quem começou com dois estava nas nuvens.
Após esse ultra foi marcado o dia da aspiração dos folículos, cheguei sorrindo e otimista, já tinha feito esse processo outras vezes, e  dessa vez foi ainda melhor, essa clínica era mais humana não me senti como mais uma na fila, me senti única e muito respeitada.
Após voltar da medicação vem o meu marido sorrindo e diz retiraram 13 óvulos, hoje escrevendo ainda me emociono, nunca tive tantos óvulos, fomos para casa felizes, mais otimista do que nunca.
Olhei para o céu e pedi um sinal, um tucano passou e meu coração se encheu.
Agora era hora de esperar, até que o telefone tocou, seis dos 13 óvulos, fertilizaram tornando-se embriões, alguns de ótima qualidade, venha amanhã que implantaremos os dois melhores.
Pegamos a estrada bem felizes, um pouco de apreensão porque era a quarta vez que iríamos transferir embriões.
Entramos no consultório o médico sorrindo, foi fazer a transferência, foi tudo diferente, me falou que escolheu o melhor local do endométrio para implantar e que daria tudo certo.
Dois embriões lindos estavam dentro de mim.
A pior parte do tratamento era agora, esperar doze dias para fazer o Beta.
Nesse período entrava na internet procurando resultados positivos e o que as pessoas sentiam, queria algo que me garantisse o positivo antes do tempo que deveria esperar, fiz dessa forma nas 3 vezes anteriores e não foi nada útil. 
Dessa vez quando começava a fazer a mesma coisa resolvi respirar e deixar para lá, meu sogro ia fazer uma cirurgia na capital do nosso estado e resolvi acompanhar meu marido, minha cunhada trouxe meu afilhado e pediu para cuidar dele, não teve nada melhor ocupou meu tempo, fez os dias passarem mais rápido, não podia ficar pegando peso, mas para andar já tinha desencanado, nada de ficar deitada na cama.
O maior cuidado era com a medicação na hora certa. Claro que procurava sinais de gravidez e quanto mais o tempo passava menos eu sentia, no início por causa dos hormônios fica muito inchado, seios, barriga... já no oitavo dia não sentia mais nada, nada de seios doloridos, nada de nada.
No nono dia estava sozinha com meu afilhado e fui ajudá-lo no banheiro, senti uma dor forte na barriga e deitei, depois disso mais nada.
Estava esquecendo dos 6 embriões, 2 foram transferidos, 2 congelados no 3 dia e 2 congelados no 5 dia.
Meu afilhado foi embora e ainda faltavam dois dias, no dia do beta, sem contar para o meu pai, pedi uma carona até o laboratório fiz o exame e resolvi voltar a pé, estava negativa neste dia. 
O resultado sairia as 14 horas, resolvi voltar para o centro 12:00 pois tinha que resolver algo no banco e novamente fui andando, comi uma coxinha (estava super saudável até então), a fila no banco estava enorme, tinha uma conhecida perto de mim, e quando foi dando 14 horas falei que precisava sair mas voltaria se ela seguraria meu lugar.
Lá fui eu sozinha ao laboratório, e quando pego o resultado abri ali mesmo e quase cai, meu choro foi tão alto que quem estava perto não entendia.
Eu não conseguia parar de chorar.

RESULTADO: 147,58 mUI/mL

Nunca antes tinha tido um positivo e eu não acreditava no que estava lendo, depois de explicar para algumas pessoas que me abordavam preocupadas que o choro era de felicidade, saí e liguei para meu marido que estava ao lado do telefone me esperando, e mais uma vez não conseguia falar e só chorar, ele pediu para eu acalmar e que não acreditava que tinha dado errado denovo, consegui respirar e falar: Você será papai!!!

Depois de parar, respirar, limpar o rosto, voltei para o banco como se nada tivesse acontecido, iamos contar só apos o ultrassom de 7 semanas, precisava ouvir o coração do bb que estava dentro de mim.
Me senti tão mal pelo meu comportamento que quando saí do banco, tomei um suco verde e peguei um taxi...

quinta-feira, 16 de março de 2017

Iniciando uma nova FIV

Em Julho voltamos a clínica nova, um dia após a chegada da menstruação.
O médico novo realizou o ultrassom e verificou a quantidade de folículos antrais, um baixo resultado seria abaixo de 10.
Nas outras Fivs comecei meu tratamento com 7 que já não era um número satisfatório, como já mencionei em outras postagens tenho baixa reserva ovariana.
Para minha surpresa fui informada que tinham dois folículos antrais, dooooiiiisss.
Minhas pernas bambearam, fiquei mais branca do que sou e na maior esperança e inocência perguntei: vamos aguardar mais um ciclo?
A resposta foi seca e sincera: esperar para que, talvez no próximo você não terá nenhum. A baixa reserva só piora com o tempo até chegar a menopausa.
Respirei fundo e perguntei qual seria o próximo passo, ele me prescreveu uma injeção que até então não havia tomado, essa injeção era muito cara mas equivaleria a 6 dias de tratamento.
Compramos o medicamento é voltamos para nossa cidade, já deixando a próxima consulta agendada.
Quando retornamos para próxima consulta eu e minha positividade fomos surpreendidas pela nova contagem dos folículos, continuavam em dois, meu organismo não tinha respondido ao  medicamento.
Olhei para o médico como quem diz é agora?
Ele falou que não receitaria mais remédios que continuaríamos com um que é o que toda mulher produz mensalmente, porque não compensaria me encher de medicação e no final ter apenas dois.
E nos falou para pensarmos na possibilidade de ovodoação.
Sai da clínica tentando ser forte mas em frente a uma árvore na rua desabei, chorei de uma forma bem desesperada, minha esperança de ser mãe estava acabando ali, cada pessoa tem um limite e eu não cogitaria s ovodoação, eu olhava para meu marido e falava, nós não teremos filhos, aliás eu não terei, vamos nos separar. Essas foram as frases que conseguia falar.
Mas ele, mais forte do que nunca o tinha visto me levantou olhou nos meus olhos e falou, vamos em frente só precisamos de um. 
Ele referiu ao fóliculo que iríamos monitorar.
Essa frase dele me devolveu a sanidade e me fez agarrar a fé se for para eu ser mãe essa seria a oportunidade e eu agarrei.
Voltamos para uma nova consulta dois dias depois, e para nossa surpresa sem medicamento algum, quatro folículos estavam desenvolvendo.
O médico resolveu então me medicar para tentarmos ter quatro óvulos.
Novamente em frente a árvore chorei, mas era um choro de felicidade, gratidão pelo milagre, criei alma nova para continuar o tratamento.
Continua...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Consulta na clínica nova

Em maio fui à consulta, mais uma vez eu e meu marido pegamos a estrada, levando todos os exames que fizemos e de coração aberto, só faríamos uma nova tentativa se sentíssemos confiança.

Chegando à clínica, observamos que era um local mais simples, a outra tínhamos que passar por diversos setores até chegar ao médico, nessa era só a secretária e já estávamos esperando por ele.

Ao conhecer o médico me deparei com uma pessoa oposta a outra que estava acostumada, o primeiro médico era um poço de confiança e alimentava toda esperança que o tratamento daria certo, este médico que eu estava conhecendo era seco, sincero e seguro do que falava, talvez para algumas pessoas ele não serveria, para mim era perfeito, já estava cansada de ser iludida, precisava deste médico.

Já nesta primeira consulta, ele me falou algo que nenhum outro falou, pelo resultado da minha histerossalpinografia (exame feito com contraste) ele me afirmou categoricamente que minhas trompas estavam obstruídas e que meu caso era realmente para FIV, contei que tinha feito uma cirurgia para desobstruir mas durante o procedimento ele viu que elas estavam desimpedidas, ele olhou para mim e simplesmente falou: estão obstruídas é algo que pode não conseguir ver durante a cirurgia.

Oiiiii? Fiquei em choque por alguns segundos, porque querendo ou não sempre tive a ilusão que em qualquer momento poderia engravidar naturalmente. (mesmo tentando por 5 anos)

Perguntei o motivo dessas aderências, já que nunca tive uma infecção, a explicação é uma cirurgia de remoção de apêndice que fiz aos 13 anos.

Então além da leve endometriose, tireoidite de hashimoto, baixa reserva ovariana as minhas trompas estavam obstruídas.

Depois da consulta passei na tesouraria e pedi para mandarem um e-mail com valores, mas já estava decidida a fazer. Tinha perguntado ao médico quando deveria voltar, ele respondeu no segundo dia da menstruação. 

Avisei que Junho faria uma viagem e provavelmente voltaríamos em julho.

Ahhh, ele me receitou algumas vitaminas diferentes que merecem um post a parte. Por enquanto vou contando a história...






terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Mudando minha vida

Resolvi continuar 2015 sem falar mais no assunto.

Não mencionava mais tratamento, desejo de engravidar, fui viver, trabalhar, respirar...

Como precisava desse tempo.

2016 iniciou, e quis mudar meu estilo de vida, procurei uma nutricionista, entrei em uma academia.

Mudando minha alimentação e exercitando, fui emagrecendo e me sentindo melhor, o sorriso voltou ao rosto e criei alma nova.

Não tinha matado meu desejo de ser mãe, inconscientemente estava me preparando de uma forma diferente, estava me resgatando do buraco que havia me enfiado.

Passou Janeiro, Fevereiro e eu estava cada vez melhor, voltando a ser a mulher positiva, sempre com sorriso no rosto.

Estava me recuperando, faltava fortalecer outra parte de mim, a minha fé e no dia 25 de março recebi de uma amiga (que teve dificuldade de engravidar e recebeu a sua graça no início de 2016) uma novena e ela me explicou como eu deveria fazer.

Esta novena me acompanhou todos os dias por nove meses e me apeguei a ela, recuperei minha fé e o melhor minha esperança estava voltando.

Sabem quando várias coisas aleatórias te mandam para o mesmo lugar? Pois bem estava tão fortalecida que senti no coração que deveria voltar, mas não queria a mesma clínica muito menos o mesmo médico. E de repente uma, duas, três pessoas me falam de uma outra clínica, de um outro médico. Então resolvi ligar e agendar uma consulta, não estava com pressa, queria agir diferente, usando toda paz que consegui recuperar.

Agendei uma consulta em maio e fui....


Esperança de ser mãe

Esperança: confiança em conseguir o que deseja

Estamos em 2017 e parei de escrever no blog em 2015, quando minha esperança estava abalada.

Vou tentar fazer um resumo.

Após a transferência dos dois embriões, esperei um mês e retornei para buscar o meu último embrião. Dos 6 fertilizados na segunda FIV, 2 foram transferidos e apenas um chegou a blastocisto (embrião de 5 dias).

No dia da transferência, era minha terceira, algo dentro de mim havia morrido, olhei para o médico e não confiava mais nele, não confiava mais em nada.

Fiquei muito nervosa pela demora dele em realizar a transferência, tinha um horário combinado, fui com a bexiga cheia como é a recomendação e ele mandou esvaziar pois iria atrasar.

Quando chegou na hora dele fazer o procedimento, vi o meu embrião saindo da casinha e desesperei, ele transferiu e eu surtei, falei que ele tinha falhado comigo e que daria errado, não teria nem esperança daquela vez.

Ele assustou com minha reação e chamou a psicóloga da clínica.

Já estava tão farta de tudo que fiquei nervosa com ela também, não aguentava mais a conversa fiada (era assim que já estava vendo aqueles profissionais).

E como eu mesma esperava, recebi meu terceiro negativo.

Estava exausta e sem esperança. Precisava de um tempo.

Mesmo sabendo da minha baixa reserva ovariana, quis parar com tudo, precisava me fortalecer, cuidar da minha cabeça e do meu corpo.

Mais uma vez vi meu marido do meu lado, dando todo apoio necessário nesta decisão.

Sabíamos das consequências mas eu realmente precisava voltar a ser eu, me perdi durante todo esse tratamento.

Continua no próximo ...

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Tempo

Me dei um tempo, confesso que um tempo pequeno.
Deste blog o tempo foi maior, não tinha cabeça para escrever, o raciocínio às vezes não acompanha as emoções.
Emoções...
Entre a 1a. Fiv e a 2a. me dei apenas um mês, coloquei uma meta para mim mas esqueci de combinar com Deus. Falei que 2015 seria o ano que tiraria para engravidar e seguindo esta ideia fixa esperei pouco, apenas um mês (na verdade foi recomendação médica, é aconselhável esperar um ciclo entre duas Fivs).
Neste mês viajei a trabalho e ele passou mais depressa, e quando vi estava novamente na clínica de reprodução. 
Sentada ao lado do meu marido, ainda com 100% de confiança no médico, ouvimos ele sugerir mudar o protocolo.
* Na primeira Fiv fizemos o protocolo curto e tivemos apena um embrião que foi transferido no segundo dia.
Iniciamos portanto o protocolo longo.
Me vi novamente tomando as injeções que foram muito mais, mas o resultado foi muito melhor.
Nem acreditei no dia da punção quando soube que haviam retirado 7 folículos e 6 foram fertilizados.
Meu coração transbordou de esperança só pensava que minha hora tinha chegado.
Recebi uma ligação de outra médica (meu médico tinha viajado) e ela marcou a transferência de dois lindos embriões de 3 dias.
Já imaginava dois bercinhos, tinha certeza que ia dar certo.
Mas...
O negativo veio como uma facada, dilacerou meu coração, o medo do futuro ainda é muito presente, não saber o que nos aguarda dói.
Meu sonho de ser mãe vem desde criança, não tem como acelerar o tempo para saber se irei realizá-lo ou não.
O que sei é que se eu não fizer nada, nada acontecerá. Se eu tentar terei pelo menos a chance.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Levantando a cabeça


Meu marido sempre fala que reagi melhor do que ele esperava, estou tentando ser forte, pois enquanto não ouvir um: você não poderá engravidar, continuo tendo esperança.
Tem hora que fico muito negativa, por ter baixa reserva ovariana, por ter passado por uma fiv e ter tido apenas um embrião e se ao tertarmos novamente não tivermos mais nenhum ou apenas um novamente.
Não temos certeza de nada, realmente posso passar por tudo novamente e ter mais um negativo, mas e se eu não tentar? Nunca saberei, e se eu tentar e o nosso bebe tão sonhado chegar.
Respirar fundo, tenho feito muito isso. Mas confesso que o que me mantem em pé é a possibilidade de tentar mais uma vez, é ver o marido disposto a passar por tudo novamente.
Voltamos ao meu médico para finalizar o tratamento, saber o que pode ter ocorrido, quando chegamos ouvimos dele que ele estava muito otimista, mesmo sendo um único embrião era de boa qualidade.
Questionei meu endométrio estar apenas com 7mm no dia da transferência, ele disse que uma paciente esta esperando gêmeos com endometrio fino 5,5 mm. 
Mas mesmo assim pediu uma histeroscopia com injúria do endométrio para investigar.
Ele hora nenhuma nos perguntou se tentariamos denovo, na verdade nem precisava perguntar estavamos tao decididos a partir para uma segunda FIV, que a pergunta era mesmo desnecessária.
O médico resolveu mudar o protocolo, mais uma vez ficamos inseguros, são muitas perguntas, porque mudar, será que vai dar certo, será que terei folículos, embrioes, será que terei uma vida dentro de mim, algum dia.
Até para escrever me sinto em uma gangorra emocional, oscilando entre a confiança de que dará certo e o medo de nunca ser mãe.
Para levantar a cabeça é preciso  pensar por etapas, a primeira começa amanhã, mais um exame, mais uma sedação. Quando penso no tanto de agulha que terei que enfrentar novamente me da um frio na barriga e penso se estamos indo rápido demais com todo o processo, mas respiro fundo novamente, o tempo no meu caso é um inimigo e tenho que ter coragem e fé para continuar.
Estamos entrando novamente nesta batalha e vamos sair vitoriosos se for vontade de Deus.
Mais uma vez agradeço pelo marido que tenho, pela família que está cada vez mais unida, resolvi me abrir com minha cunhada e irmãos e tem sido ótimo ter o apoio e o amor deles. 
Não estou sozinha e isso é ótimo.
Rumo a segunda FIV, com muito mais Esperança.